Guia DOPS (Direct Observation of Procedural Skills)
O DOPS é uma avaliação estruturada baseada na observação direta de habilidades clínicas e procedimentais. Ele ajuda preceptores e residentes a alinhar expectativas e desenvolver competências essenciais com foco em segurança do paciente.
Objetivo do DOPS
- Oferecer feedback formativo, baseado em comportamentos observáveis.
- Identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria de forma clara.
- Promover aprendizagem deliberada com foco em segurança, eficiência e comunicação.
Como interpretar a escala (1 a 5)
Utilize a escala para refletir o nível de domínio observado:
- 1 - Muito abaixo do esperado: falhas relevantes, pouca autonomia, necessidade de intervenção constante.
- 2 - Abaixo do esperado: desempenho irregular, ainda dependente de orientação frequente.
- 3 - Dentro do esperado: execução segura, com supervisão habitual.
- 4 - Acima do esperado: desempenho consistente, decisões adequadas, pouca intervenção.
- 5 - Muito acima do esperado: excelência técnica e não técnica, autonomia avançada.
Critérios avaliados (DOPS adaptado no SurgLog)
1. Conhecimento do caso
Verifique se o residente domina história clínica, exames, diagnóstico, riscos e alternativas terapêuticas. A boa preparação aparece na qualidade das respostas e nas decisões que antecipa.
2. Consentimento informado
Observe se a explicação ao paciente foi clara, completa e respeitosa, incluindo riscos, benefícios, alternativas e expectativas realistas. O registro adequado também é parte da competência.
3. Preparação para o procedimento
Avalie planejamento pré-operatório, posicionamento, checagem de materiais, antibioticoprofilaxia quando indicada e antecipação de etapas críticas. Um residente bem preparado reduz risco e aumenta eficiência.
4. Vigilância para complicações
Procure sinais de atenção ativa a riscos: reconhecimento precoce, comunicação clara e decisão de escalar ajuda no momento certo. A segurança do paciente é prioridade.
5. Planejamento pós-operatório
Analise a capacidade de planejar analgesia, dieta, cuidados específicos (drenos, curativos, traqueostomia quando aplicável), exames e critérios de alta. O cuidado continua após o procedimento.
6. Documentação do caso
Registros claros e completos são parte da prática médica responsável. Observe qualidade, objetividade e presença de achados relevantes, intercorrências e condutas.
7. Comunicação com a equipe
Considere clareza, respeito, capacidade de coordenar, pedir ajuda e alinhar condutas com anestesia e enfermagem. Comunicação segura evita erros.
8. Relação médico-paciente
Empatia, escuta ativa e linguagem adequada são essenciais. Avalie postura profissional, respeito e alinhamento de expectativas com paciente/família.
Dicas para preceptores
- Baseie a nota em evidências observadas, não em impressões gerais.
- Use o campo de feedback para transformar a nota em aprendizado.
- Compartilhe exemplos concretos do que foi feito bem e do que pode melhorar.
Dicas para residentes
- Revise o caso e antecipe riscos antes do procedimento.
- Solicite feedback específico: “O que devo repetir? O que devo ajustar?”
- Use o DOPS como mapa de competências a desenvolver.